terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Criança mimada é falta de educação, sim. E a culpa é dos pais

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Uma geração de crianças “sem limites” está se formando. São filhos mimados e com baixa tolerância à frustração. Como os pais podem mudar essa situação?
Mesmo que você não tenha filhos, provavelmente já presenciou cenas semelhantes: criança se jogando no chão e gritando porque não recebe o que quer na hora que está pedindo; criança gritando (e até batendo) nos pais porque não ganharam o que querem, na hora que querem; criança jogando comida no chão porque não é o que quer comer. Pois esse comportamento é de criança mimada e indica, sim, falta de educação.
Para a psicóloga Laurema Suckow de Castro uma geração de “crianças mimadas” está se formando por uma mudança social e até econômica. “O pais e as mães estão muito mais ausentes, trabalhando muito. As crianças ficam muito ligadas em aparelhos tecnológicos e tendo pouco contato com a família. Isso desencadeia um comportamento social sem muitos limites”, explica.
Limite aliás, é a palavra chave para lidar com uma criança mimada e também pode ser a “salvação” para esse tipo de comportamento. O problema, conforme analisa a psicóloga, é que a culpa dos pais acaba desencadeando um comportamento vicioso. Os pais não querem repreender a criança porque sentem culpa por não passar mais tempo com ela. Os filhos percebem essa culpa dos pais e usam ao seu próprio favor, testando limites e – também – a paciência.
“Uma criança mimada é uma criança que tem baixa tolerância à frustração. Não sabe ouvir um não e não consegue se comportar bem socialmente”, explica Laurema. Esse “não consegue” passa pela questão da criança saber que os pais não vão repreendê-la em um lugar público, por isso acaba colocando a família em situação constrangedora.
O que fazer nesses casos? Ser firme. Por mais que a culpa bata, os pais devem saber que os limites são essenciais na educação dos filhos e que são eles – os pais – que sabem o que é melhor para as crianças durante a infância. Isso significa saber se comportar durante um passeio e até comer o que os pais indicam, já que os adultos têm mais experiência para saber o que faz bem do que uma criança.
Parece lógico, mas muitos pais têm dificuldades em colocar limites nas crianças e terceirizam essa função, seja para a escola ou para especialistas. Laurema salienta que uma situação muito comum hoje em dia é os pais buscarem diagnósticos para criança, chamando-a de hiperativa ou mesmo buscando ajuda médica para lidar com um comportamento inadequado.
“Há diferenças grandes entre uma criança com alguma síndrome e uma criança sem educação, sem limites. Os pais não podem confundir. Na dúvida, é importante buscar orientação”, salienta Laurema.
O que fazer?
A psicóloga dá algumas dicas para lidar com crianças que estão fazendo birra ou manha constantemente. Confira:
  • Tenha controle da situação. Lembre-se: quem sabe o que é melhor para as crianças são os adultos e não elas.
  • Seja firme. Não volte atrás em uma decisão. A criança precisa confiar e sentir-se segura com a decisão do adulto.
  • Não sofra. Saiba que dar limites é positivo para a criança. Uma criança mimada é manipuladora e sabe o “ponto fraco” dos pais. Não caia no jogo.
  • Fuja do consumismo. Não tente compensar o tempo que você passa fora com presentes. O que vale é a qualidade do tempo também, portanto, presentes, só em datas especiais.
  • Dê tarefas para que as crianças cumpram de acordo com a idade e maturidade delas. Estimule a independência.
  • Faça combinados e mantenha as regras. Antes de sair de casa para um passeio, lembre os acordos da família: nada de birra, manha ou pedir para comprar alguma coisa. Não dá para fazer tudo o que as crianças querem, isso prejudica um crescimento saudável!

Publicado originalmente em: http://www.gazetadopovo.com.br

19 comentários:

  1. Excelente....foi assim que eduquei...hoje o Pais tem uma cidada ,uma mae,uma profissional Magnifica..Um Nao firme com amor ,evitara tantos e tantos problemas futuros....

    ResponderExcluir
  2. Verdade. Meu filho tem 4 anos e está bem nessa fase. E já passei vergonha, mas tem melhorado e aceitado os limites e escutado as conversas. Não o mimo, sou bem firme com ele.

    ResponderExcluir
  3. Temho 2 filhas uma de 7 anos e outra de 9 meses nao crio com mimos digo o que ela veste e calca pq home em dia a maioria das criacas escolhem as coisas mas aqui em casa quem escolhe sou eu

    ResponderExcluir
  4. Chamar crianças de "mimadas" e "manipuladoras" também não é um diagnóstico? O que é ter controle da situação, como isso se traduz em ações concretas? Significaria ignorar as necessidades e sentimentos das crianças e impor mais a sua vontade? É isso que significa ser firme? Ignorar o comportamento e repreendê-lo. Controle e repreensão traz consciência, ou só reforça o senso de autoritarismo e de obediência cega à ordens vindas de cima? Então o problema é só impor limites e dizer o que ela deve ou não fazer, é isso? De que forma alguém que age por coerção, por medo da punição ou por vontade de ganhar uma recompensa, por culpa e vergonha (seja criança ou seja adulto) aprende a se relacionar de forma saudável? Como assim a ausência dos pais é um problema social e econômico? Não seria o problema social e econômico fruto de um condicionamento? O título diz que é culpa dos pais. Há culpa, ou só há condicionamento?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
    2. Seus questionamentos são ótimos e penso que muita gente deve pensar assim, pq são dúvidas óbvias. Vamos lá : mimada e manipuladora não são diagnósticos de transtorno, são adjetivos atribuídos a crianças com esse comportamento típico de baixa tolerância à frustração. Existe uma ordem hierárquica na família importante, os pais introduzem o mundo aos filhos, é o início da vida em sociedade e nesta existe hierarquia. Ser firme é ser seguro, a criança (todos nós) busca isso desde quando nasce, ela precisa de segurança e ordem (organização) para se desenvolver. Repreensão e controle são algumas das variáveis no processe de educação e desenvolvido, logo, fundamental na construção de limites. A criança precisa saber quem é que manda, assim ela assimila a noção de autoridade, quando isso não acontece ela , quando crescer, entenderá qualquer autoridade (hierarquia) como autoritarismo. Tudo isso com muitos conflitos. Infelizmente. Por fim, existem outras alternativas de solução para as atuais questões sociais, como trabalho e sobrevivência, do que a culpa. A culpa é a pior solução de todas, não produz nada que presta. Só que a pessoa se "martiriza " alguém fica com dó, consola e fica por isso msm. Não enfrenta e resolve a causa da culpa. Dizer que os pais são culpados não resolve muito, mas de todo jeito a responsabilidade recai sobre eles e as consequências na sociedade com pessoas intolerantes, cheias de direitos mas sem uma noção de dever e convivência saudável em sociedade. Espero , sinceramente, ter te provocado alguns pensamentos....Sempre aberta aos bons debates. Forte abraço.

      Excluir
    3. Desculpe que lhe diga mas a sua analise é completamente incoerente, e apenas parece mostrar um sentimento de culpa, e uma falta de preparação pedagógica
      o sr. mistura alhos com bugalhos de uma pretensa visão supostamente politica, sem conteúdo que se possa pelos menos criticar passa para um pedantismo
      confrangedor , ligado a uma visão snobe autocrática ,e que deixa qualquer um menos informado perplexo e sem saber o que pensar das suas diatribes.
      enfim já estou a gastar tempo demais com alguém que vai ler a resposta com desdém e sobranceria a sua visão com uma componente vagamente revolucionária , é no fundo desculpe a "grossaria " Estupida.

      Excluir
    4. K bela opurtunidade k tinhas de tar calado.. Parvalhao

      Excluir
  5. Excelente! Muito esclarecedor. Foi assim a criação da minha filha. Também pensava e questionava como a comentarista "eu sou aquilo". Hoje, minha filha, aos 19 anos, procurou as drogas para aliviar a depressão, a angústia, a dificuldade em lidar com suas frustrações, já tentou se matar várias vezes. Mimei muito, não dei limites - eu achava que dava limites, eu não percebia que estava mimando para compensar a minha ausência. Não demonstrava autoridade, não tinha firmeza nas minhas decisões, não sustentava o não. Hoje, ela não me respeita como mãe, não me ama, não me ouve, não me escuta. Minha filha endeusa os " amigos" usuários de drogas (cigarro comum, bebida alcoólica, maconha, cocaina, LSD e ecstasy). Estes amigos hoje - e não a família - é que são o apoio e o sustentaculo para ela, são sua principal referência. E ela continua sem forças e maturidade emocional para suportar críticas, erros e outras frustrações. Parou de estudar, parou ballet, parou inglês, alemão, curso de desenho, dança, etc. Nem estuda, nem trabalha. Revoltadíssima comigo, discorda de tudo - absolutamente tudo - o que eu digo, opino, faço ou até nem digo ou faço. Tornei-me o anti-padrão para ela, apesar de toda dedicação e sacrifícios que fiz por ela. Amo a minha filha de todo o meu ser, de todo o meu coração, dou a minha vida por ela. A dor de vê-la nesta "vida" é incomensurável. Nenhuma criança quer brinquedo caro. O que eles querem é passar horas com qualidade com os pais - ou só a mãe, ou só o pai, depende (eu criei minha filha sozinha, e ainda estou criando). O texto é excelente e fala uma verdade que pode ser "inconveniente" para alguns pais. Entretanto, a verdade pode doer muito.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poucas mães assumem isso, poucas mães conseguem sair do meio de tanta dor e reconhecer o erro, que Deus guarde sua menina, ela vai voltar.

      Excluir
  6. Adorei o texto, adorei os comentários.

    ResponderExcluir
  7. Acho que o texto misturou vários assuntos num só e generalizou a questão de como deve ser a educação de uma criança de uma forma bastante superficial resumindo todo o problema à falta de tempo dos "tempos modernos". Acredito que a questão é muito mais ampla do que isso e no caso específico do Brasil, se origina principalmente na falta de cultura, independente do poder aquisitivo da família. Um bom começo é ler um pouco mais e sugiro começar pelo livro Pais à maneira dinamarquesa. E vão entender que não precisam ser um ditador do lar para de ter filhos educados. Crianças aprendem através do exemplo do dia a dia e não do autoritarismo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. o único sensato aqui, provavelmente a "escritora" não tem filhos.

      Excluir
  8. eu sabia de tudo isso até ter filho eu e minha esposa educavamos todas as crianças dos outros , ai veio uma criança para nos mostrar que a coisa não é bem assim, cada situação é unica cada criança é unica cada momento é unico ,então não julguem não critiquem e não condenem tudo que reparavamos nos outros vivemos agora cada texto desses que eu via eu marcava aquelas mães e pais que eu achava que não sabiam educar seu filhos porque eu achava que sabia ,aproveitem cada momento com seus filhos deem amor segurança isso tudo vai passar tão rapido daqui um tempo vcs vão sentir saudade desses momentos não sigam formulas psicologias vivam cada momento e agradeça o tempo inteiro por cada experiencia se os pais não atrapalharem ja é uma grande coisa..

    ResponderExcluir
  9. Tenho apenas um filho e fui mãe aos 38 anos.Em 11 anos de vida o meu rapaz fez duas birras,uma à porta da escola primária e outra num supermercado.Prontamente resolvidas com uma valente repreensão.É um miúdo muito querido,amigo dos pais,amigo de todos na escola e fora dela,bom aluno,bem educado,gentil e carinhoso.Tem,quase,tudo o que quer mas é com o proprio dinheiro que adquire.É-lhe dada uma pequena quantia mensal que ele poupa para comprar o que lhe interessa.Óbviamente que há restrições.Não o deixo gastar as poupanças em jogos de computador,por exemplo,entre outras coisas.Comparativamente com outras crianças da idade dele,e eu trabalho para as crianças,acho que estou a fazer um bom "trabalho".De resto,receio o futuro...ninguém sabe para o que está guardado,apesar de conversar muito com ele,rirmos,brincarmos e fazermos os tpc juntos,tenho medo que ele mude.Se,realmente,as crianças forem o "reflexo" dos pais,o meu filho mantém-se firme e forte e é tudo o que desejo,que se faça um HOMEM.

    ResponderExcluir
  10. Tenho uma neta de 2anos e meio que esta6bem nessa fase. Intolerante ao não quer fazer valer sua vontade com choros e birras. Somos bastante firmes mas tenho uma dúvida de quão firmes podemos ser nessa faixa etária.

    ResponderExcluir
  11. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir