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sábado, 22 de outubro de 2016

O que perdi com o divórcio dos meus pais

sábado, 22 de outubro de 2016

Compartilho o seguinte testemunho de um pai de família sobre o divórcio de seus pais – e o quanto esse divórcio o afetou para sempre.
* * *
Meu nome é Roberto, sou dentista, feliz no casamento e pai de três filhos. Meus pais são divorciados e é sobre esta realidade que eu desejo dar meu testemunho.
Eu tinha apenas 8 anos, era filho único e meus pais pensavam que, pela idade, não me dava conta das coisas, não me inquietava, não me angustiava. Como eles estavam enganados!
É verdade que eu não fui testemunha de brigas entre eles, embora certamente tenha havido algumas. Mas, bem antes que eles se separassem (e acho que isso também eles nem imaginavam), eu percebia a falta de alegria e de manifestações de carinho entre eles. Era como se eles respirassem um indefinível ar rarefeito.
Naquela situação, confuso, eu sentia certa “culpa”, imaginada por uma lógica infantil que me levava a pensar coisas como estas: “Se eles estão mal, então eu também devo estar”; “Eles estão bem, eu é que estou mal”; “Eu não devia ter nascido ou eles não queriam que eu nascesse”…
Eu fingia estar distraído, brincando, mas ouvia quando eles falavam de acordos sobre os carros, a casa, os móveis, as contas; falavam de um jeito tenso, que me atingia.
Fui, eu mesmo, o objeto de mais um acordo na hora de repartir as “coisas” e as supostas responsabilidades. Acabei sendo um “sortudo” filho do divórcio, já que me garantiram teto, meios materiais e educação acadêmica.
E foi assim que me tornei um ser a quem era preciso garantir coisas; não tanto afeto, mas sim recursos para “progredir”.
Com meus pais já separados, eu passava tempos com cada um. Ambos tinham dinheiro para gastar e me transformaram num menino mimado e exigente, cujos estados de ânimo eles tentavam controlar com mimos materiais, num jogo de “eu te dou, mas não me dou”; e depois me passavam para o outro, em turnos, com um beijo frio e um sorrisinho.
Eu continuava sem entender…
À noite, em pesadelos, um monstro peludo me assustava e eu esperava que ele sumisse magicamente. Era isso o que eu pedia aos Reis Magos [nota da redação: em vários países de tradição hispânica, os presentes para as crianças não são entregues no dia de Natal, mas sim no dia 6 de janeiro, festa da Epifania – e quem os entrega não é o Papai Noel, e sim os três Reis Magos].
Mas o monstro peludo não ia embora nunca. Tive que me acostumar com ele e começar a chamá-lo pelo nome.
O nome dele era divórcio.
Foi assim que a palavra divórcio passou a fazer parte do meu mundo, e, à medida que eu fui crescendo, mais era envolvido na triste realidade do drama de dois adultos. Um drama em que eles foram capazes de deixar de lado o mais importante; se não para eles, com certeza para mim: a nossa família. E… se eu era parte dela… onde é que eu ficava?
Quando alguém me perguntava sobre a minha família, me doía e eu apelava à mentira. Sentia inveja, além disso, das pessoas que estavam abrigadas por um sólido matrimônio. Ficava com muita raiva quando via filmes em que apresentavam o divórcio como algo inevitável, natural e, às vezes, até “divertido”. Fiz amigos que compartilhavam a mesma situação, mas acabava me afastando deles, porque tinham uma conduta difícil.
Meus pais partiram para segundas uniões e formaram “outras famílias”. Como eu continuava me alternando entre os dois, me vi com um padrasto, uma madrasta e meios irmãos aqui e ali. Eu era um curinga.
Cresci, terminei a universidade, assumi uma profissão e, do jeito que pude, me tornei alguém que conseguia preservar seu equilíbrio interior.
Embora eu tenha sofrido a solidão, nas fotos dos acontecimentos acadêmicos e sociais mais importantes da minha vida, bem como no meu casamento, os meus pais apareceram, paradoxalmente, sempre juntos e sorridentes, aparentando ser ainda, junto comigo, uma família.
A minha é uma de tantas histórias em que o divórcio não parece ser tão ruim, mas isto não é verdade para quem sabe o que traz no coração.
Não é minha intenção julgar os meus pais. Estou apenas constatando que tudo isso que vivi é e será sempre uma grande injustiça com os inocentes.
Ficou para trás o tempo em que eu me esforçava para que a minha situação “não me importasse”; o tempo em que eu dizia para mim mesmo que “tinha tudo”, que vivia uma situação mais comum do que parecia e que, de certo modo, era um sinal dos tempos.
Ouvi pontificarem muitas vezes que o divórcio era a alternativa para quem precisava refazer a vida sentimentalmente; uma conquista da maturidade sobre a liberdade humana. Cheguei a considerar tudo isso.
Mas não consegui me convencer e decidi enfrentar o fato a partir da minha própria experiência: é algo que eu jamais teria escolhido como contexto para viver e crescer.
O homem é livre, sim, e, precisamente por isso, tem a capacidade de usar a própria liberdade para se comprometer, por amor, com o que deve ser.
A grande verdade é que o divórcio contraria a natureza pessoal do amor conjugal, do qual nascem os direitos do filho ao desenvolvimento da plenitude do seu ser. E estes são três direitos naturais e irrenunciáveis que os filhos do divórcio perdem:
  1. Um filho tem direito à certeza de saber que foi concebido por amor, um amor que lhe dá o senso de pertencimento, dele aos seus pais e dos seus pais a ele. O amor dos esposos é um amor de espíritos encarnados, e as coisas do espírito não são medidas pelo tempo nem condicionadas pelo mundo. O amor conjugal, portanto, é um amor que transcende o tempo, o sofrimento, as contrariedades, as provações, formando uma muralha protetora do matrimônio e dos filhos. Um amor assim se estende aos filhos como valor transformado em vida; como a melhor herança afetiva.
  1. Um filho herda o direito a três amores para crescer integramente: o do pai, o da mãe e o que nasce do amor conjugal que flui entre eles; esse amor que é fruto de uma nova forma de ser união entre dois e que combina o melhor da natureza pessoal. Por isso, para um filho, o valor deste último amor é infinitamente maior que o de cada um dos seus pais individualmente – e isso que o valor individual de cada um deles já é maravilhoso. O amor que nasce dessa união é a escola onde o filho aprende a se abrir aos outros em atos livres, responsáveis, sustentando o desenvolvimento de toda a sua humanidade como homem ou como mulher.
  1. Um filho tem direito ao testemunho do compromisso de seus pais. Para aprender a andar pelo caminho da prudência, onde a responsabilidade é a maturidade da liberdade; onde o compromisso é a maturidade da responsabilidade; onde o amor é a maturidade do compromisso, abrangendo todo o tempo da existência.
Estes direitos não me foram reconhecidos, e, sem eles, ainda fui capaz de andar pelo caminho do verdadeiro amor, mas sem bússola, sem pegadas para seguir, sem uma mão para me guiar.
Hoje, adulto, eu me esforço para viver uma vida realizada e rezo a Deus Pai para que caminhe na minha casa e cure todas as sombras, dúvidas, temores que o monstro do divórcio semeou no mais profundo do meu subconsciente.
Peço a Deus também que cuide, cure e livre os meus filhos do erro.





quinta-feira, 2 de junho de 2016

Ciência confirma o melhor meio para evitar o divórcio

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Um estudo realizado pela Universidade de Virginia confirma: os casais que dedicam um tempo a ter um “encontro a sós”, mesmo que seja apenas uma vez por semana, reduzem em 50% as chances de chegar a um divórcio.
Os dados foram coletados nos Estados Unidos: 1.600 casais de 18 a 55 anos, entre 2010 e 2011, combinados com entrevistas a 10.000 adultos, entre 1987 e 1994.
A principal pergunta do estudo era: “A cada quanto tempo você passa algum tempo sozinho com seu parceiro(a), conversando ou compartilhando alguma atividade?”.
As palavras-chaves são “sozinho com seu parceiro(a)” (não foram contabilizadas as atividades com amigos, parentes, nem com os filhos) e “compartilhando”. W. Brad Wilcox, coautor do estudo, insiste em que não é preciso sair a jantares caros nem fazer uma viagem… “Se a pessoa estiver concentrada no cônjuge, assim como se concentra em seus filhos, no trabalho ou no celular, já é válido. Trata-se de conversar face a face. Basta, por exemplo, jogar alguma coisa juntos, sozinhos, depois que as crianças forem dormir.”
Alguns sites de compras coletivas dos EUA, como o LivingSocial, afirmam que “é difícil incentivar o esposo a jugar Monopoly quando ele está cansado do trabalho ou já acomodado em casa; ele acabará dormindo”. Por isso, segundo eles, é melhor “sair”, marcar um encontro com antecedência. Por isso, oferecem descontos em jantares, pequenas viagens etc.
Mas quem os casais que não podem gastar dinheiro com saídas ainda têm muitas opções: deixar os filhos uma vez por semana com os avós e aproveitar o tempo para jantar juntos, ver algum filme, sair para caminhar, namorar etc.
O estudo afirma que as atividades originais e novas costumam unir mais os casais. Então… criatividade!
Também foi demonstrado que quanto mais tempo de qualidade se compartilha, menos risco de divórcio vai haver. Os que mantêm um encontro semanal têm um índice de 15% de divórcio. Parece muito, mas os que não se encontram com essa regularidade têm um índice de 25%.
Depois de analisar o “poder protetor” dos encontros a sós com o cônjuge, os sociólogos chegaram às seguintes conclusões sobre tais encontros:
1. Melhoram a comunicação
Ao poder conversar sem a distração dos filhos e do trabalho, o encontro permite falar sobre coisas que interessam e motivam o casal: seus sonhos, aspirações, temores etc. Ao conversar sobre suas aspirações, podem buscar objetivos comuns; ao falar sobre seus problemas, podem procurar fazer isso de forma construtiva e tranquila, proativa, ao invés de reagir por instinto e com pressa, cercados de crianças.
2. Ajudam a curtir a novidade
Os casais com vários anos de relacionamento tendem a “acomodar-se” e a perder a emoção. Os estudos demonstram que fazer coisas novas juntos (dançar, ver o pôr-do-sol, fazer uma trilha, montar a cavalo etc.) destrói a rotina e une o casal em um desafio compartilhado, divertido e emocionante.
3. Melhoram a relação romântica e sexual
Os encontros incentivam a criatividade e a emoção, e, ao permitir o diálogo, podem ajudar também neste campo, renovando as formas de carinho, novos ambientes etc. Tudo isso fortalece o casamento .
4. Favorecem o compromisso
Se há pelo menos um dia da semana comprometido ao “encontro a sós”, fica claro que se marca uma prioridade. Os filhos já se acostumam a ficar com os avós, os amigos já sabem que nesse período o casal não estará disponível… Tudo reforça a sensação de unidade e a importância de trabalhar por ela. Fica claro que, para cada cônjuge, o outro é uma prioridade.
5. Aliviam o estresse
Sair para divertir-se em casal, ou simplesmente relaxar juntos, diminui o estresse, e isso é bom para o casamento, sempre ameaçado por doenças, problemas financeiros, conflitos no trabalho etc. Permite ver o outro sem o peso da irritabilidade, do cansaço ou do estresse, e isso ajuda a manter o amor conjugal.

via: Aleteia